domingo, 15 de abril de 2012

A lógica é como uma tesoura: ela corta, divide as coisas. A mente é uma espécie de prisma – passe um raio de luz branca por ela e imediatamente será dividido em sete cores. Passe qualquer coisa pela mente e você terá uma dualidade. A vida e a morte não são a vida-e-a-morte, a realidade é vidamorte. Deveria ser uma única palavra, não duas, e nem mesmo ter um hífen entre elas. Vidamorte é um fenômeno. Amoródio é um fenômeno. Escuridãoluz é um fenômeno. Negativopositivo é um fenômeno. No entanto, ao passar este fenômeno único através da mente, o que é uno é imediatamente dividido em dois. Vidamorte se torna vida e morte, não apenas são divididas, mas a morte se torna antagônica à vida. São inimigas. Agora você pode ficar tentando fazer com que as duas se encontrem, mas elas nunca vão se encontrar.

Kipling está certo: “O Oriente é o Oriente e o Ocidente é o Ocidente e nunca os dois irão se encontrar.“ Em termos lógicos, é verdade. Como o Oriente pode encontrar o Ocidente? Como o Ocidente pode encontrar o Oriente? Mas, existencialmente, não faz o menor sentido. Eles se encontram o tempo todo. Por exemplo, se você está sentado na Índia: é Oriente ou Ocidente? Em relação a Londres, será Oriente. Mas, em relação a Tóquio, será Ocidente. Então, o que são exatamente, Oriente e Ocidente? Em cada ponto os dois se encontram, e ainda assim Kipling diz: “Nunca os dois irão se encontrar”. Mas os dois estão se encontrando o tempo todo. Não há um único ponto onde não haja ao mesmo tempo Ocidente e Oriente e não há um único homem no qual estes não se encontrem. Não pode ser de outra forma: eles têm que se encontrar – só existe uma realidade, um único céu.


do tarot do osho