segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

















































sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

história de iansa da lua cheia da gabi

eu tirei a casa do milho e comecei a catar os grãos
o guri me olhou rindo desfazendo a espiga de uma só vez
- ué, tu não sabe debuiá mio?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



0,5 gatos por cabeça

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

meu gozo evola funcho
as palmas das mãos doces de coco
sou sangue beterraba
eletrizo minhas pernas diariamente
caminhando pra dentro me enraízo nesta terra, crua e banhada de tão saudosa presença de espírito

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


sábado, 28 de dezembro de 2013

abraço de tartaruga
que ontem eu costurei e ficou mais verde
pra sossegar coração aflito químico

diz que eu seja respeitosa dele triste
que é pra isso que ele existe também

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

divina pastora
mãe menininha
soprou meu pó translúcido pra se enfeitar
pediu ar pelos meus pulmões
pra deixar o ventre lacrimar

cinco minutos de sol sonolento
e  myra lee



























quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

eu sinto esse uivo introjetado
na certeza de que agora poderia evocar uma tempestade com as mãos

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

minha mãe e o Pedro Segundo disseram que eu pedisse pras formigas irem embora
o grito se ouvia lá da garibaldi também
não sei há quanto tempo
era com certeza vivo, máquina não sente assim
na última lua cheia o uivo solitário ecoou a noite inteira e eu quis puder abraçar
foi numa noite que eu ouvi do lado da janela da cozinha
que entendi que o som vivia solto no ar
naquela noite não pude dormir
eu pedi para o grito ir embora
desinventar o inferno que criou pra si
desgrudar destas paredes
perdoar seus parentes e irmãos
e outras coisas que eu ia sabendo que deveria dizer
deitados na cama, abraçados
eu acho que ele virou chuva
e até o vento agora passa aqui sem que pareça doer

terça-feira, 26 de novembro de 2013

era já madrugada quando eu cheguei
refugiada na cozinha
irada àtormentar estalos

meu pai numa voz que nunca vi me chamou na sala
- eu não lembro se eu pensei -

um beija-flor azul era uma mariposa gigante batendo asas embaixo do ventilador do quarto andar
- não quer ir embora, ele disse.

fizemos escuro e ele foi pra janela, olhou pra nós e saltou
voltei muito silenciosa pra cozinha

meu pai me chamou dessa vez com uma voz engraçada

um beija-flor azul menor que aquele rodopiava a sala


desse dia em diante  não falamos alto


terça-feira, 12 de novembro de 2013

milhões de asinhas cintilantes deslizavam nos quase dois dedos de poeira feliz de já quase estar terra outra vez
no dia de sol escondido, a cadeira de rodas e o cavalinho de crina pura e escarlates olhos de vidro testaram nossa serenidade pro uivo medonho que o vento as vezes faz
tínhamos pouco tempo porque contávamos com a desorientação espacial e nos perdemos algumas vezes
os vivos viviam invisíveis e escondidos e nos picaram bastante até entendermo-nos
eu conversava em língua humana - português - com os espíritos enquanto amolecia o tempo n'água
no único quarto ocupado havia uma cordilheira de caixas de papelão de caos e universos que a gente vive a completar com belos rabos de sereia

domingo, 3 de novembro de 2013


terça-feira, 8 de outubro de 2013

a casa velha tem um botão de rosa morto que eu beijo os brotos todos os dias
a casa nova é mágica e tem um poema pra mim escrito nos anos 90
eu li que preciso enraizante

sábado, 28 de setembro de 2013

mastigando toda área
pra dar forma ao bolo dos instintos inventados

tempo do espaço
espaço do tempo nascido carne
bolos de carne de tempo propriedade privada da morte
vida bolo de carne de ilusão e sorte